Vazio S/A
Cidades na Cidade
07/06/2018

O portal Vitruvius e a plataforma Guaja acabam de publicar o texto “Cidades na Cidade”, no qual apresentamos uma crítica da Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Shenzhen, e a nossa participação com o projeto Nantou Playground. Uma versão em inglês foi publicada no website e-architect.

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Olá pessoal,
Temos o prazer de convidar a todos para “Cartografia Imaginária: a cidade e suas escritas”, que começou no Sesc Palladium na semana passada, e da qual estamos participando depois do generoso convite dos curadores, Maurício Meirelles e Marconi Drummond. A exposição é sobre um olhar contemporâneo da história urbana e literária de Belo Horizonte. Baseada na ideia de “mapas literários”, Cartografia… “investiga as relações entre cidade concreta e cidade imaginária, num jogo de significados que envolve afirmações e ausências, contaminações e recusas. Explorando interseções entre a literatura e outras linguagens artísticas, seu objetivo é mostrar como, paralelamente ao espaço urbano e às formas objetivas de representá-lo, uma outra cidade, feita de palavras e imagens, vem sendo construída pela imaginação de seus narradores.”

E fica em cartaz até 8 de julho.
Ver também Sub-Arrudas, nosso projeto em cartaz na exposição.
Apareçam!

Tumor Benigno
05/02/2018

Publicado originalmente no livro História do Vazio em Belo Horizonte (Carlos M. Teixeira, Cosac Naify, 1999), o texto abaixo descreve um crescimento urbano inverso, onde tudo o que um dia foi destruído seria recuperado e incorporado pela cidade com a mesma voracidade da destruição de outrora.

Edição e animação: Alexandre Campos (sobre fotos de Belo Horizonte e São Paulo)

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Tumor Benigno
“Se a história de Belo Horizonte é um filme, este pode ser resumido a uma transformação dos vazios de uma cidade jovem em cheios de uma cidade saturada. Esse projeto é a imagem desse filme vista em câmara rápida, mas em sentido inverso (como a imagem que se tem com a tecla rewind dos VCR): é um retrocesso na história que, paradoxalmente, aponta para os melhores futuros da cidade. Recapitulemos toda a história de BH em poucos minutos, para que o absurdo da ocupação dos vazios fique mais claro. Se o “progresso” desta cidade está identificado com a paulatina ocupação de seus lotes, parques e áreas verdes, um retrocesso significa desocupar os cheios e re-instaurar os vazios e o natural. Desafogar o Centro, adensar e interligar a periferia eficientemente, imaginar projetos tão delirantes como o foi a densificação de Belo Horizonte. Voltar às origens da cidade. Imaginar, mais uma vez, a liberdade e a força dos vazios. Agora, a zona urbana passará a ser um grande Parque Municipal, num gesto de “vingança do urbanismo”. Como um enorme Central Park – que é ao mesmo tempo negação e exaltação da cidade -, a zona urbana passará a ser a natureza de que dispomos: a natureza das coisas que escaparam ao artificialismo da arquitetura. A vingança: metástase inversa daquela que caracterizou o crescimento da cidade.

“Um tumor benigno. Uma mancha de vazios contaminando os cheios. Um retrocesso: volta ao início da história como forma de enxergar um futuro mais saudável.”

Nantou Playground
30/01/2018

Estamos muito orgulhosos em apresentar nossa proposta para a Bi-City Bienal de Shenzhen / Hong Kong: um playground que inaugura um uso público para um edifício abandonado em Nantou, bairro informal em Shenzhen, na China.

Como tentar misturar água e óleo, o desafio do projeto reside em manter alguma coisa da rugosidade e das texturas agressivas de uma estrutura abandonada de concreto com a atmosfera mágica e festiva de um parque infantil. Além de propor um uso público para um edifício privado, estes novos escorregadores  permitirão que as crianças brinquem no centro de Nantou, um bairro que, pesar de denso e hiper-populoso, não tem qualquer equipamento infantil.

Com agradecimentos especiais a Meng Yan, Liu Xiaodu e Hou Hanru, curadores da Bienal.

+ info: Nantou Playground

Em Direto
25/01/2018

Exumamos aqui algumas fotos da exposição Em Directo (ao vivo), onde apresentamos a proposta Enxertos Arquitetônicos e seus troncos progressivamente embolorados. Com curadoria de Paulo Miyada, a mostra circulou pelos SESCs de São Paulo em 2011 e 2012.

+ info aqui 

O catálogo do Prêmio Rogelio Salmona acaba de ser publicado pela Fundación R. Salmona, de Bogotá, e inclui nosso parque H3o  — um dos 20 projetos latino-americanos selecionados para participar. Para se candidatar, o prédio deve ter potencial para melhorar o espaço público da cidade, ter sido construído há mais de cinco anos e demonstrar que ”vingou” – ou que tenha disparado mudanças estruturais duradouras. Deixamos aqui um obrigado especial a Ruth Verde Zein e a todos em Bogotá que organizaram essa importante discussão sobre a arquitetura urbana na América Latina.

+info: H3o

Mark Magazine
05/01/2018

A prestigiada revista holandesa Mark publicou uma entrevista com Carlos na edição no. 70; confira no site da revista.
Fotos: Gabriel Castro. Texto: Ana Martins.

Estamos muuuito orgulhosos por saber do prêmio Pierre Vago do Comitê Internacional de Críticos de Arquitetura concedido ao livro “Arquitetura e Natureza”, de Abilio Guerra., em evento realizado na Coreia do Sul. Junto com “Espaço de Risco” (Otavio Leonidio) e “Ode ao Vazio” (Carlos Teixeira), o livro integra os três primeiros lançamentos da recém inaugurada editora Nhamerica Platform, em parceria com a Romano Guerra Editora.
O júri internacional da premiação foi formado pelo presidente Joseph Rykwert (Estados Unidos / Inglaterra) e pelos membros Manuel Cuadra (Alemanha), Sengul Oymen Gur (Turquia), Xiangning Li (China) e Louise Noelle (México). A premiação faz parte dos eventos do Congresso Mundial da União Internacional dos Arquitetos UIA 2017, realizado em Seul.
Mais informações:
Comité International des Critiques d’Architecture – CICA
Portal Vitruvius

Sofá Pop 10
20/11/2017

Sofá Pop 10 = malha Pop 10×10 cm + réguas de jequitibá 20mm.
Ver  também: Móveis Vazio S/A e Poltrona Pop 10
Fotos: Daniel Mansur/Estúdio Pixel

Vazio proibido
10/11/2017

Ben Katchor, cartunista da revista americana Metropolis, sempre escreve estórias bizarras sobre design, arquitetura e comportamento. Numa edição de 2009, Marlon, um menino marcado por memórias da infância, cresce com um estranho desejo de possuir em casa um cômodo absolutamente impenetrável. Aos cinquenta anos, rico e psicótico, Marlon compra um apartamento com um salão que, apesar de mobiliado, jamais seria usado…

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O breve texto abaixo foi escrito originalmente para “O Chão que Eu Piso”, uma inspiradora página do Instagram que virou livro das jornalistas Raíssa Pena e Paola Carvalho.

Praça Palimpsesto
Carlos M Teixeira

“Pisos de casas antigas me lembram uma peça de teatro encenada num lote vago há muitos e muitos anos, em 2001. Na verdade não era um lote: uma casa na Rua Sergipe, em Belo Horizonte, tinha sido demolida há poucos dias, e então um grupo de atores aproveitou esse breve período, quando a casa se transformara em lote, pra apresentar um espetáculo noturno em meio aos palimpsestos de paredes e pisos da casa demolida.

Dirigida pela atriz e produtora Andrea Caruso, foi uma peça de uma única apresentação montada numa ocasião muito efêmera: dias depois, os palimpsestos seriam destruídos por uma retroescavadeira que levou as últimas memórias da casa. E infelizmente, mais dias depois, os inevitáveis tapumes de canteiro de obras fariam com que aquele espaço, que foi público por poucos dias, voltasse a ser um terreno privado como outro qualquer.

O cenário do espetáculo era essa praça inusitada feita de restos de muros e azulejos, de tacos em zig-zag e ladrilhos hidráulicos, de escadas e lajes estampadas no muro do vizinho, de árvores apertadas num quintal imaginário. Era melancólico e onírico, mas também apontava para uma discussão futura que só hoje pode ser vista como uma demanda de todos que moram nas capitais do Brasil: mais e melhores espaços públicos, a conversão de áreas privadas em praças, a necessidade de um melhor diálogo entre a esfera pública e a privada.

Essa ‘Praça Palimpsesto’ com certeza seria melhor para a cidade do que o prédio que hoje está na Rua Sergipe, assim como ela também seria melhor que a casa que foi demolida.”

  

Os objetos do playground que propusemos para uma creche que abriga mais de mil crianças em Ribeirão das Neves (MG) têm suas formas imaginadas como a tradução dos movimentos e das brincadeiras que eles patrocinam: rampas, redes, escadas e escaladas aqui são um ponto de partida para imaginarmos outras formas de escorregar, trepar, esconder, balançar, descer, subir. Eles são uma alternativa economicamente viável frente às peças tradicionais e pretendem ser mais duráveis e mais instigantes que os produtos do mercado.

Em vista da enorme quantidade de crianças da creche, o projeto aposta numa linguagem de grandes peças de concreto colorido. Robustas o suficiente para suportar o intenso uso a que estarão sujeitas, elas são a um só tempo lúdicas e funcionais, poéticas e racionais, esculturais e construtivas. Um playground infraestrutural.

+info: 1000 Meninos

De todas as cidades do mundo, provavelmente Shenzhen (China) é a que mais cresceu nos últimos trinta anos: vizinha a Hong Kong, o que era uma vila de 30.000 habitantes em 1980 é hoje uma conurbação de 17  milhões. Nesse avassalador processo de urbanização, pouca coisa de sua história foi poupada, e é por isso que o bairro informal de Nantou foi eleito como o principal local da próxima UABB, ou Bi-City Biennale de Shenzhen / Hong Kong.

Com curadoria do crítico de arte Hou Hanrou, a Bienal tem o título de “Cities, Grow in Difference” e tem como co-curadores os arquitetos da Urbanus, Meng Yan e Liu Xiaodu.

Nantou é um enclave orgânico com centenas de prédios “ilegais” de 10 ou 15 andares. A partir de um convite dos curadores, Vazio S/A propôs uma intervenção nesse bairro, ou mais precisamente um playground num prédio abandonado sito no hiper denso Centro de Nantou – ver quadrado vermelho na foto abaixo.

O fotógrafo Joachim Schmid tem um ensaio fotográfico sobre campos de futebol no Brasil (O Campo, 2010) que mostra que, dependendo das contingências encontradas, nem sempre o futebol precisa ser praticado num retângulo. Mais do que uma revelação de que esse esporte pode se acomodar a topografia e a limites não ortogonais, as fotos mostram um fantástico contraste vazio/sólido em meio a um tecido urbano denso e irregular – certamente uma favela. E traduzem a ideia de que, mesmo num bairro informal onde grande é a pressão por novas ocupações, e mesmo que os prédios vizinhos tenham que se debruçar ombro a ombro, equilibrando-se para manter livre a geometria orgânica desse Campo –; mesmo assim, esse vazio insólito e inaudito vai sempre permanecer desocupado por causa da sua óbvia importância para todos aqueles que o usam.

Foto publicada originalmente em Pise a Grama nº 3.
Ver também Joachim Schmid.

Novo Morar
21/09/2017

NovoMorar é uma plataforma que tem como objetivo oferecer alternativas para o modo como as pessoas se relacionam com suas moradias e com a cidade. Iniciativa do escritório de arquitetura Vazio S/A e da Total Engenharia, os projetos NovoMorar evitam a mesmice dos projetos imobiliários atuais por meio de prédios (e apartamentos) que priorizam o bem-estar de seus moradores, a sustentabilidade e a economia inteligente.

Saiba mais em Novomorar.com.br

Edifício BsAs
08/09/2017

Edifício Buenos Aires é o novo prédio do Vazio S/A!
Ele tem nove apartamentos de 1Q e 2Q, todos nove com terraços.
Mais informações no site www.novomorar.com.br

Em um revelador ensaio sobre o futuro do carro, o jornalista Henry Grabar declara que “Large numbers of streets could be decommissioned and reused as promenades, parks, and sites for housing. Most downtown parking could also become obsolete. The average car is parked 95 percent of the time, and parking spots are required, at great cost, in housing, retail, and office construction.”

“(…) The Rocky Mountain Institute, a sustainability think tank in Boulder, Colorado, argues that Automated Vehicles will quickly challenge the private ownership model. In a report released in September, RMI calculates that self-driving cars will make automated taxi service in cities as cheap, per mile, as personal vehicle ownership. Jon Walker, a manager at RMI and co-author of the report, anticipates that autonomous vehicles’ superior use of road space—optimal acceleration and spacing, for example—will unleash a wave of urban transformation. Even if the number of cars on the road doubled, he argues, traffic would still move faster.”

in How will self-driving cars change cities?, Slate Daily Magazine, 25/10/2016

Continuando estes argumentos, o estacionamento privado também vai mudar. Possivelmente menos pessoas terão carro em um futuro próximo e, portanto, as vagas de garagem precisarão ser espaços flexíveis e adaptáveis à cidade de carros compartilhados e/ou sem motorista.

Em nosso último projeto, o Edifício BsAs, projetamos um nível de estacionamento permeável, aberto e totalmente transparente em relação à calçada. A garagem se torna um jardim, um hall, um olho urbano.

De qualquer maneira – e independentemente de qualquer exercício de futurologia -, uma garagem verde certamente é melhor que uma garagem cinza.

+info: NovoMorar.com.br

“Arquitetura para não arquitetos” é um seminário organizado pela plataforma de coworking Guaja.
De 23 de agosto a 15 de setembro, sempre às 19h30.
Hoje: mesa redonda com Fernando Maculan, Facundo Guerra, Ana Paula Baltazar e Carlos Teixeira (Vazio S/A).
Todos estão convidados!