Vazio S/A

Livre referência que empregamos como estrutura do desenho “The grid: paisagem de vazios colonizadores” (ver post abaixo), “Along the river…” é um scroll de 5,25m feito pelo artista chinês Zhang Zeduan durante a dinastia Song, no século XII. Na pintura são retratadas 814 pessoas, 28 barcos, 60 animais, 30 edificações, 20 veículos, 8 liteiras e 170 árvores.

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Em um revelador ensaio sobre o futuro do carro, o jornalista Henry Grabar declara que “Large numbers of streets could be decommissioned and reused as promenades, parks, and sites for housing. Most downtown parking could also become obsolete. The average car is parked 95 percent of the time, and parking spots are required, at great cost, in housing, retail, and office construction.”

“(…) The Rocky Mountain Institute, a sustainability think tank in Boulder, Colorado, argues that Automated Vehicles will quickly challenge the private ownership model. In a report released in September, RMI calculates that self-driving cars will make automated taxi service in cities as cheap, per mile, as personal vehicle ownership. Jon Walker, a manager at RMI and co-author of the report, anticipates that autonomous vehicles’ superior use of road space—optimal acceleration and spacing, for example—will unleash a wave of urban transformation. Even if the number of cars on the road doubled, he argues, traffic would still move faster.”

in How will self-driving cars change cities?, Slate Daily Magazine, 25/10/2016

Continuando estes argumentos, o estacionamento privado também vai mudar. Possivelmente menos pessoas terão carro em um futuro próximo e, portanto, as vagas de garagem precisarão ser espaços flexíveis e adaptáveis à cidade de carros compartilhados e/ou sem motorista.

Em nosso último projeto, o Edifício BsAs, projetamos um nível de estacionamento permeável, aberto e totalmente transparente em relação à calçada. A garagem se torna um jardim, um plinto, um olho urbano.

De qualquer maneira – e independentemente de qualquer exercício de futurologia -, uma garagem verde certamente é melhor que uma garagem cinza.

+info:

Misunderstandings – exposição da qual estamos participando no Le Frac Centre, Orleans, França – é, nas palavras de seus curadores, “um procedimento para definir áreas de não-conhecimento na coleção, e assim proceder à sua redefinição, sua releitura e sua reescrita.”

“Colocar uma coleção em conjunto envolve uma prática permanente de traduzir ausências. Em primeiro lugar, há as ausências intrínsecas ao próprio ato de colecionar. Colocar uma coleção em conjunto é uma questão de classificação e escolha, e como tal é um ato de externalização. Uma desterritorialização sem fim. Em seguida, uma coleção também é fragmentos. Nós retemos “sucatas” de coisas de momentos da história. A coleção esconde mais do que mostra.

“O simpósio apresentará e questionará o projeto realizado pela CAMPO para ler e reagir à coleção do Frac Centre através da seguinte grade de leitura: Medo/Estrutura, Esperança/Sistema, Nostalgia/Forma e Surpresa/Limite. Para esta construção, o vocabulário da arquitetura é como se transportado em outro lugar, como se impedido por emoções humanas.”

Misunderstandings Symposium:
The event will be in English and will take place on
March 3, 2017
At the Frac Centre Val de Loire

Mais informações: http://www.frac-centre.fr/_en/misunderstandings-846.html

Cadeira CA-50
01/03/2017

Cadeira CA-50 = 4 vergalhões (os pés) e 3 estribos que os serpenteiam.
+info: http://www.vazio.com.br/projetos/moveis/

“Herbs, vegetables, strange flowers and rogue weeds pioneer tiny cracks in the urban landscape.”
CMG Landscape Architecture

The Crack Garden, made by the Californian office CMG Landscape Architecture, was one of the works awarded in the ASLA 2009 Professional Awards, the present award of the American Society of Landscape Artists. The idea is interesting and contrasts with the other awarded proposals; most of them being conventional and/or sumptuous. Flowers, weeds and grass usually grow between the cracks of the ground in backyards and sidewalks, but here the cracks were intentionally made, reproducing at home traces of uncontrolled landscapes.
+info: http://www.cmgsite.com/

As áreas mais densas das cidades estão plenas de vazios urbanos pouco notados: um exemplo são os muitos miolos de quarteirões que infelizmente seguem sem qualquer uso. Essa quadra no Centro de BH é um exemplo de como seria fácil converter um vazio em praça. Nele plantaram algumas árvores que lutam para sobreviver, mas com pouco investimento adicional esse terraço se transformará numa área de lazer inaudita que fará equilibrar a aridez e falta de espaços públicos do Centro.

Protegida por prédios de vinte andares, não é difícil imaginar aqui uma área de estar ou um bar com terraço envolvido por um cenário urbano que, se parece melancólico, também é muito promissor.

Fotos: Rua Goitacazes 103, Centro, Belo Horizonte

Se esta tivesse sido a visão que efetivamente mudou o curso dos rios urbanos em todo o mundo, estaríamos vivendo em cidades de parques lineares e não em cidades de rios tamponados:

Mapa de sobreposição dos meandros do rio Mississipi por Harold Fisk, 1944. O desenho foi feito quando uma nova visão do rio estava senda cunhada; uma em que “o rio precisa de mais espaço que deve ser dado lateralmente, os invés de verticalmente”.
In Arunadha Mathur e Dilip da Cunha, “Mississipi Floods”, Yale Press, 2001.

Mergulho no abismo
25/01/2017

Num mundo onde o uso da água é cada vez mais discutido e valorizado, é surpreendente saber que as cisternas do Rajastão e do Gujarat são estruturas tão fabulosas quanto desconhecidas.

Architectonic Abyss
Carlos M Teixeira

“My first impression upon seeing the Indian stepwells was this: they look like a reverie of inverted steps and levels, a descent into the depths of the desert every bit as disconcerting as a plunge into the abyss. Rendered all the starker by the play of light and shade, these flights of steps form an architectonic mantra of stunning visual effect, endowing the stairways with a vertiginous rhythm, repeating a pattern that boggles for its scale and multiplication, as if reproduced ad infinitum in a hall of mirrors.

(more…)

Nós vivemos numa época em que a transformação do existente é mais importante do que as novas construções; em que urge voltarmos os olhos para problemas das nossas cidades que foram ignorados pelas gerações passadas.

É dentro dessa perspectiva que Sobre-Arrudas (imagens baixo) se encaixa: um projeto que celebra o rio, transformando-o num evento capaz de mudar a maneira de enxergarmos os recursos naturais para os quais viramos as costas.

Uma praça temporária aberta a festivais, discussões e dissenções, Sobre-Arrudas foi apresentado, sem sucesso, para a Prefeitura de Belo Horizonte. É por isso que agora estamos trabalhando na viabilidade de um projeto similar proposto para uma outra cidade: o projeto Sobre-Aricanduva na Zona Leste de São Paulo (ver próximo post).

+info: Projetos Sub-Arrudas e Sobre-Aricanduva no site Vazio S/A
+info: “Por uma visão urbanística da inclusão dos rios”, texto de Carlos M Teixeira no projeto Manuelzão

A exposição “Misunderstandings”, realizada conjuntamente pela galleria Campo (Roma) e o Le FRAC Centre (Orleans, França), foi pensada como um experimento sobre como deve ser um acervo histórico e como a prática arquitetônica contemporânea pode abordá-lo.

Para fazê-lo, doze arquitetos e artistas foram convidados a fazer um projeto a partir de um desenho da coleção Le Frac. Guiados apenas pelo poder conceitual e plástico dos desenhos, a interpretação esteve aberta a todos os “mal-entendidos”, como erros científicos e inadequações históricas.

Um dos doze trabalhos que compõem a mostra é o nosso The Grid. Publicamos aqui partes deste desenho de quatro metros lineares, em cartaz até janeiro na Campo e até abril no Le Frac Centre. A sequência foi feita a partir de um díptico provido pelos curadores no qual fizemos intervenções para criar uma paisagem “palafitada” que corrompe o desenho original.

O texto abaixo é um excerto do material apresentado na exposição:

“The better futures of the existent city are in latent fields that simply need to be developed and enlarged. The “concrete palafittes” – a widespread architectural accident in Belo Horizonte and many other hilly cities in Brazil – are a corrupter of a well-known object – the grid – that clash against modernist architecture origins: it demystifies style to create an object that escapes and despises the pure morality and ethical uniformity of its creators. (more…)

Num país de cidades dominadas pelo âmbito privado, o arquiteto Abílio Guerra faz aqui uma ótima defesa de três dos raros exemplos de vazios urbanos cívicos em São Paulo, onde espaço público e espaço privado deixam de se confrontar, para, ao contrário, trabalhar em simbiose:

Quadra Aberta: uma tipologia urbana rara em São Paulo
Abílio Guerra

Christian de Portzamparc, em texto já clássico no meio arquitetônico brasileiro, defende a quadra aberta como uma solução contemporânea para os grandes aglomerados urbanos. Segundo o arquiteto francês, seria uma conciliação entre as cidades da primeira e segunda eras, abrindo as portas para a terceira era da cidade. Uma conciliação entre as qualidades da rua-corredor da cidade tradicional e dos edifícios autônomos da cidade moderna. Estamos diante de um urbanismo de síntese, aonde a resultante “quadra aberta permite reinventar a rua: legível e ao mesmo tempo realçada por aberturas visuais e pela luz do sol. Os objetos continuam sempre autônomos, mas ligados entre eles por regras que impõem vazios e alinhamentos parciais. Formas individuais e formas coletivas coexistem. Uma arquitetura moderna, isto é, uma arquitetura relativamente livre de convenção, de volumetria, de modenatura, pode desabrochar sem ser contida por um exercício de fachada imposto entre duas fachadas contíguas” (Portzampark, 1997) (more…)

foto: Carlos Teixeira; maquete: HS Maquetes

Boas notícias para tempos difíceis, título (muito apropriado) da última edição da V!rus, acaba de ser publicada. A revista é editada pelo Nômades da USP; Vazio S/A aparece com um texto sobre nosso projeto Outros Territórios, que deve ser realizado esse ano.
Uma boa notícia!

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foto: Carlos Teixeira; maquete: HS Maquetes

Maquete #3 é continuação de uma longa pesquisa iniciada no projeto Amnésias Topográficas I e no livro História do Vazio em Belo Horizonte (Carlos M Teixeira, Cosac Naify, 1999), e que pretendemos retomar em 2017 com o festival Outros Territórios.

Que 2017 seja o ano!

foto: Carlos Teixeira; maquete: HS Maquetes
ver também: Amnésias Topográficas I, Amnésias Topográficas II e Misunderstandings

Ex-bailarina da companhia de Merce Cunningham, a coreógrafa Marilyn Wood foi uma das pioneiras nas pesquisas entre dança e arquitetura. Em 1972, ela apresentou um espetáculo nas janelas e na praça do edifício Seagram em Nova York como parte de uma série que ela chamava de “Celebrations in City Places”. Hoje totalmente esquecida, a cenografia usava todos os 44 andares da fachada de vidro de um dos prédios mais emblemáticos da cidade e contava com 35 bailarinos para transformar janelas em palco. Com exceção da foto acima, não há praticamente nenhum registro sobre o evento na internet, mas a semelhança visual entre ele e alguns trabalhos do escritório é incrivelmente óbvia, especialmente nos projetos “Espaços Públicos Invisíveis” e “Spiral Booths“.

Temos o prazer de anunciar que “Gambiólogos”, cujo projeto expográfico é do Vazio S/A, foi premiada na XVIII Premiação do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil!
+info: IAB webpage

“Misleadingly interlocked, ostensibly cantilevered and sumptuously textured” foi como o jornalista John Bezold, da prestigiada revista holandesa Mark (foto abaixo) iniciou sua apresentação da Casa no Cerrado. Uma outra bela resenha da mesma casa, Eupalinos no Cerrado, foi publicada  na revista AU pelo arquiteto e crítico Fernando Lara: “(…) Tudo convida a subir, a casa inteira existe nessa dicotomia entre o abrigo protegido abaixo e o desejo de ascensão ao cume da casa e do morro”.