Proposta desenvolvida para o Templo Bahá’í de Brasília. Religião fundada no século XIX por um iraniano, quase todos os templos Bahá’í têm nove portas, nove lados, e/ou nove pontas. Partindo dessa premissa, o projeto propõe uma arquitetura integrada ao Cerrado organizada a partir de nove portas que conectam o templo à paisagem. Com planta quase nonagonal, a solução combina concreto aparente, estrutura em Madeira Laminada Colada e luz natural, articulando contemplação e sustentabilidade em um conjunto de forte relação com o território.

A arquitetura busca uma materialidade brasileira e uma linguagem que concilia conceitos aparentemente opostos — geometria e organicidade, simetria e dinamismo, transcendência e presença terrena. A luz natural desempenha papel central, desenhando no interior do templo os movimentos do sol e contribuindo para uma atmosfera espiritual. Além do edifício principal, o conjunto inclui duas estruturas complementares destinadas à vida comunitária, organizadas em torno de pátios internos.

A simplicidade litúrgica da tradição Bahá’í orienta o desenho interior do templo. O espaço é abstrato e despojado, sem imagens ou representações figurativas, permitindo que a espiritualidade se manifeste por meio da própria arquitetura. O piso de calçada portuguesa se estende do interior para o anel externo do templo, reforçando a continuidade entre espaço interno e paisagem.

O sistema estrutural combina concreto armado e Madeira Laminada Colada. Nove pilares de concreto ficam embutidos no perímetro externo, enquanto pilares de madeira no interior formam o umbral e sustentam a treliça que filtra a luz, além da laje e da cúpula.