Sito à rua Congonhas 576, bairro Santo Antônio, o Ed. Pezzi foi construído nos anos 1950 em estilo art-déco. Ali perto há o Conjunto Urbano Bairro Santo Antônio, marcado por uma sequência de casinhas dos anos 1930 que conformam um simpático casario na mesma R. Congonhas.
A área comum é marcada por uma caixa de escada não-enclausurada em U e por um fosso que provê luz natural para um dos três apartamentos dos pavimentos-tipo. As duas fachadas laterais têm desenho bem menos esmerado e conjugam janelas de madeira, basculantes de ferro e varandas adjacentes às áreas de serviço.
A estrutura é de concreto armado (tríade pilar, viga, laje), incluindo uma laje sobre o último pavimento. Não aparente, o telhado é de estrutura de madeira com telha francesa, e tem planta retangular com tacaniças e quatro águas.
No mesmo terreno há também uma casa anos 1920 que, apesar de não tombada, será preservada. Também em estilo art-déco, tem dois pavimentos, fachada avarandada, beirais em balanço, térreo revestido com pedras irregulares e telhado com telha francesa escondido por platibanda horizontal. As fachadas laterais são bem mais simples e têm janelas de vãos pequenos, predominando as basculantes de vidro rugoso. A fachada dos fundos foi muito alterada, incluindo um acréscimo coberto por telha ondulada de amianto.
Há também um pátio nos fundos da casa marcado por uma mangueira e várias bananeiras. Apesar de sitos no mesmo lote, a casa e o prédio são isolados por um muro.
Por último, há uma edícula adjacente à casa que é voltada para o pátio. Tem fachada art-déco e, apesar de bastante descaracterizada, também será preservada.
O novo ed. Pezzi: um retrofit radical
Nosso projeto preserva ao máximo as três edificações existentes.
O prédio terá um pavimento a mais — um piso extrudado. A fachada desse quinto pavimento será marcada por um coroamento em tubos retangulares de alumínio na cor marrom, com abertura de 50% e instalados no mesmo plano da face das fachadas originais. As fachadas das ruas Congonhas e Leopoldina serão integralmente mantidas, enquanto as duas fachadas laterais serão modificadas em função das novas plantas.
A casa será integrada ao prédio: o muro que os separa será demolido. O pátio da casa terá uso comum compartilhado pelos condôminos; ele será conectado ao prédio por uma rampa acessível e uma escada, ambas ao ar livre. Decks de madeira e um paisagismo de forrações ornamentais completam esse quintal, todo ele dominado por uma mangueira de porte monumental.
A edícula funcionará como cozinha comum (área gourmet) e também como espaço de coworking para os condôminos em horário comercial. O térreo da casa também será de uso comum: banheiro acessível, sala de festas e lavanderia. O segundo pavimento será redividido como duas unidades de um quarto.
O conjunto busca integrar dois edifícios antes isolados. A cor dos caixilhos da casa, todos em amarelo, estende-se à garagem do prédio; enquanto o gradil de alumínio do pátio remete ao pavimento extrudado que coroa o prédio tombado. Ao final, pretende-se uma certa unidade arquitetônica, assumindo de antemão que certas diferenças devem ser mantidas e endossadas já que trata-se de duas construções isoladas no tempo (uma dos anos 1920, outra dos anos 1950).

























