Sobre – Vazio S/A
Sobre

Vazio S/A Arquitetura e Urbanismo mistura prática e pesquisa. Para o estúdio, a visão integrada das disciplinas de desenho — arquitetura, paisagismo e urbanismo — é uma estratégia fundamental numa época de desafios impostos pelas dinâmicas da ecologia e pela própria complexidade das cidades. Seja no desenho de móveis ou no projeto de residências, equipamentos culturais e edifícios comerciais, prevalece no escritório a interdisciplinaridade.

Buscamos uma postura propositiva e ativa: uma visão da informalidade, dos vazios e do mercado como algo que possa nos indicar novos projetos e oportunidades. À visão de uma prática de escritório convencional (casas, edifícios comerciais, desenho urbano etc) está associada a experimentação através de concursos de arquitetura, publicações, parcerias com grupos sociais e artísticos, e intervenções urbanas efêmeras que propõem novas relações entre a cultura contemporânea e a arquitetura.

Vazio S/A já recebeu vários prêmios nacionais e internacionais, entre eles o influente Architectural Review Emerging Architecture Award; tem projetos construídos no Brasil, Canadá e Inglaterra; e tem participado de importantes mostras de arte e arquitetura, como a Bienal de Arquitetura de Veneza e a Bienal de Arte de São Paulo.

Dentre as últimas obras de arquitetura concluídas está o CABH (projeto para a sede da prefeitura de BH premiado em concurso nacional), H3O (um parque de esportes e lazer conjugado com um centro comunitário na favela da Serra), a Casa no Cerrado e a instalação Arqueologia Estrutural.

Ativando os Vazios

Vazio S/A foi fundado em 2001, pouco após a publicação de História do Vazio em BH (Carlos M Teixeira, Cosac Naify, 1999). Partindo do intento de aceitar a cidade, o livro é um ensaio sobre a informalidade urbana e um elogio da fotografia da periferia e dos vazios urbanos, delineando uma possível forma de atuação na cidade em construção, exaltando a destruição, provocando uma leitura estética invertida do cartão postal e atentando para os vazios latentes da cidade.

Vinculado a uma estratégia para enfrentar a cidade que serve-se da realidade encontrada, História do Vazio é uma celebração do vazio como um reserva de possibilidades; da paisagem urbana vista como algo necessariamente em mutação; e das possibilidades abertas pela informalidade e pelo desplanejamento das cidades em desenvolvimento. Foi partindo da História do Vazio em BH que propusemo-nos uma prática de arquitetura associada à continuação destas premissas. De casas a projetos de desenho urbano, passando por projetos cenográficos para teatro e dança, edifícios de apartamentos e obras instaladas em contextos de arte contemporânea, prevalece no estúdio uma busca pela multidisciplinaridade e pela investigação.

A presença das chamadas “palafitas” de concreto na cidade de Belo Horizonte (enormes vazios arquitetônicos sob edifícios residenciais) se prestou como uma aplicação imediata das idéias do livro. Visto como um problema causado por edifícios monstruosamente projetados, estes vazios se transformaram literalmente em espetáculo. Em 2001 ocorreu a primeira intervenção, onde a artista Louise Ganz e o arquiteto Carlos Teixeira trabalharam como colaboradores do grupo de teatro de rua Armatrux num espetáculo dentro das palafitas que sustentam edifícios residenciais. O resultado foi Amnésias Topográficas I (2001), seguido de Amnésias Topográficas II (2004-2005) e Amnésias Topográficas III (2007).

Conceitualmente, Amnésias Topográficas foi o primeiro de uma série de projetos onde um vazio encontrado e sub-utilizado foi reativado por meio de um programa. Dentro desta constante investigação do estúdio estão também Lagoa Seca, Sub-Arrudas, Teatro Oficina, Espaços Públicos InvisíveisBaixios de Viadutos, Marquise do Ibirapuera, Arqueologia Estrutural e Sobre-Aricanduva.

Formalmente, o desarranjo espacial das palafitas de Amnésias Topográficas ainda seria o principal mote de alguns projetos de arquitetura, como o complexo de piscinas em Aalborg na Dinamarca, a Casa Vila del Rey, a Casa no Cerrado, o edifício residencial Ruichang e a instalação Spiral Booths em Londres. Porém, ao transformar a desordem encontrada nas palafitas em artifício de projetos arquitetônicos, o conjunto busca ofuscar a distinção entre o planejado e o não-planejado, entre o encontrado e o designado, entre a antiarquitetura das palafitas e a arquitetura proposta nestes projetos que, simultaneamente, celebra e critica aquela antiarquitetura.

Dentro da escala de desenho e paisagismo urbano, foi produzido o extenso Baixios de Viadutos da Via Expressa Leste-Oeste, coordenado por Flávio Agostini (2007). O projeto abre novas possibilidades de uso para os vazios ociosos sob e no entorno dos 15 viadutos ao longo da Via Expressa Leste-Oeste em Belo Horizonte e propôs uma lista de programas e equipamentos que podem ser construídos naqueles vazios. Outro projeto de grande escala é a Operação Urbana Nova BH, um projeto de requalificação da área do rio Arrudas feito em parceria com três grandes escritórios: Aecon (Londres), DG Arquitetura (Rio de Janeiro) e BCMF (BH).

Mercado Imobiliário

Acreditamos que as cidades seriam melhores se os arquitetos também assumissem as responsabilidades de construtor e incorporador, ainda mais se considerarmos o atual horizonte de apartamentos e prédios oferecidos pelo mercado, pensados quase que exclusivamente por construtoras e corretores de imóveis. Sabemos que o que compõe a maior parte do tecido urbano são casas e apartamentos, portanto nossas cidades infelizmente estão sendo produzidas pelos setores quase sempre retrógrados e conservadores que integram esta indústria. Foi dentro dessa premissa que realizamos Montevidéu 285, um edifício projetado e incorporado pelo escritório em parceria com uma construtora (Construtora Primus). Outro edifício residencial é o Buenos Aires, que também aposta na arquitetura como alternativa para o mercado de apartamentos.

Arquitetura e Artes Cênicas

Em 2010, o escritório foi convidado para participar de duas exposições que consolidaram sua pesquisa entre artes cênicas e arquitetura iniciada com Amnésias Topográficas I e o grupo de teatro Armatrux: a instalação O Outro o Mesmo na 29ª Bienal de Arte de São Paulo, e o já citado Spiral Booths, um teatro vertical construído para a exposição Architects Build Small Spaces no Victoria & Albert Museum de Londres. Outros projetos nessa mesma convergência entre teatro, artes cênicas e espaço urbano foram o cenário da dança Transtorna (Cia. de Dança Palácio das Artes, 2007) e a direção de arte da peça Bom Retiro 958 metros (Teatro da Vertigem, 2012).

Incluindo uma entrevista sobre performance e arquitetura com o arquiteto Bernard Tschumi, o último livro do escritório – Entre: Architecture from the Performing Arts (Carlos M Teixeira, Artifice Books on Architecture, 2012) – é uma seleção destes projetos relacionados às artes cênicas onde transparece a expansão do interesse do estúdio por variáveis que estão fora do campo estrito da arquitetura, ou por um ponto de contato entre o trabalho do arquiteto e o de artistas na construção e ativação dos vazios.

Limites do Paisagismo

Problemas próprios do devir e do tempo formam uma outra categoria de projetos situados numa área imprecisa entre o paisagismo, o urbanismo e a arquitetura, ou numa investigação que explora os limites do paisagismo. Aqui podem ser incluídos os capins suspensos de Amnésias Topográficas II (2004), o paisagismo de várias escalas do Centro de Tiro Esportivo (2005), as ações e reações de Enxertos Arquitetônicos (2008), as caixas flutuantes de Enxertos (2011), o campo de energia de Jardim Morto I (2012) e Jardim Morto II (2013), e o labirinto em obras Cool Gardens (2015).

Prêmios

2015. IAB-MG: XVII Premiação de Arquitetura do IAB-MG categoria “Edifícios Institucionais, Culturais, Educativos, de Lazer e Entretenimento”. Arqueologia Estrutural – primeiro lugar. Belo Horizonte (Brasil).

2015. IAB-MG: XVII Premiação de Arquitetura do IAB-MG categoria “Habitação Uni e Multifamiliar”. Ed. VDA – menção honrosa. Belo Horizonte (Brasil).

2014. Ordem dos Arquitetos da Provincial Pichincha Ecuador: XIX Bienal Pan Arquitetura de Quito. Livro Entre – menção honrosa. Quito (Equador).

2014. Prefeitura Municipal de Belo Horizonte: Concurso Nacional de Arquitetura Centro Administrativo de Belo Horizonte. CABH – segundo lugar. Belo Horizonte (Brasil).

2014. Domaine de Chaumont-sur-Loire: Festival International des Jardins. Planar Garden – premiado e não construído. Chaumont-sur-Loire (França).

2014. Bim.Bon: Prêmio Bim.Bon de Arquitetura Brasileira. Gambiólogos – premiado projeto do mês. Belo Horizonte (Brasil).

2013. Associação Paulista de Críticos de Arte: Prêmio APCA categoria “Fronteiras da Arquitetura”. Bom Retiro 958m – premiado. São Paulo (Brasil).

2012. Les Jardins de Métis/ Reford Gardens: The International Garden Festival. Jardim Morto II – premiado e construído. Quebec (Canadá). Exibido nas edições de 2013, 2014, 2015 e 2016.

2012. IAB-MG: XIV Premiação de Arquitetura do IAB-MG categoria “Habitação Uni e Multifamiliar”. Ed. Montevideu 285 – primeiro lugar. Belo Horizonte (Brasil).

2011. Arquitetura & Construção: IV Prêmio O Melhor da Arquitetura categoria “Edifícios Institucionais – Educação”. Parque da Terceira Água H3O (com Silvio Todeschi, Alexandre Campos, Ana Assis e M3 Arquitetura) – primeiro lugar. São Paulo (Brasil).

2011. IAB-SP e AIA-NY (EUA): Concurso para a exposição New Practices São Paulo na AIA-New York Chapter. Portfolio selecionado e exposto. Nova York (Estados Unidos) e São Paulo (Brasil).

2010. Victoria & Albert Museum: 1:1 Architects Build Small Spaces. Spiral Booths – premiado e construído. Londres (Inglaterra).

2008. Private Plots: Best Private Plots & Public Spots. Enxertos Arquitetônicos – terceiro lugar. Langenlois (Áustria).

2007. Tangshan Urban Planning Bureau: Tangshan Earthquake Memorial Park. Tangshan Park – terceiro lugar. Tangshan (China).

2006. The Architectural Review: Emergent Architecture Awards. Amnésias Topográficas (com Louise Ganz) – menção honrosa. Londres (Inglaterra).

2006. JA The Japan Architecture: Shinkenchiku Residential Design Competition. Casa da Várzea – menção honrosa. Tóquio (Japão).

2004. IAB-SP: VI Prêmio Jovens Arquitetos categoria “Ensaios Críticos”. O Condomínio Absoluto – destaque. São Paulo (Brasil).

2003. Ministry for Culture of the Arab Republic of Egypt: Architecture Competition for the Grand Egyptian Museum. Grande Museu Egípcio (com Bruno Campos e Fernando Lara) – distinção. Cairo (Egito).

2002. Groupe E2: Defining the Urban Conditions (concurso internacional). Amnésias Topográficas (com Louise Ganz) – primeiro lugar. Paris (França).

2001. Defining Digital Architecture: Far Eastern International Digital Architecture Design Award. The Kyoto Protocol Landscape – finalista.

1999. Governo do Estado de São Paulo: Concurso Público para Urbanização da Área do Carandiru (concurso nacional). Parque da Juventude Carandiru – menção honrosa. São Paulo (Brasil).

1999. USIMINAS: II Prêmio USIMINAS de Arquitetura em Aço. Habitação Social (com Oscar de Vianna Vaz e Luciana Miglio Cajado) – menção honrosa. Belo Horizonte (Brasil).

1998. Prefeitura de São Paulo: Concurso Nacional de Ideias Para Um Novo Centro. São Paulo: Layers, Pontos Indutores, Buffers (com Fernanda Borges e Pieter Quast) – quarto lugar. São Paulo (Brasil).