Proposta para uma exposição na Galeria Carbono (São Paulo), Sala Hipostilo é um excesso e uma ausência de pilares onde o visitante caminha em direção à ausência de sólidos e de qualquer elemento arquitetônico. A dinâmica da planta e do espaço explora um jogo de opostos entre peso e leveza, solidez e fragilidade, vazio e cheios. A entrada é marcada por pilares grossos que quase estrangulam a passagem ao interior, mas a fachada induz o visitante a um trajeto em direção ao centro de pilares gradualmente mais finos e esbeltos e que, pouco a pouco, reduzem-se à proporção de uma linha.

Sala Hipostilo também pode ser vista como uma mesquita de pátio aberto revisitada e rearranjada. Nestas mesquitas, o pátio descoberto (sahak) é um vazio amplo que contrasta com a matriz densa de pilares (liwan) do salão coberto. A Jami Masjid e a Mesquita Sarkhej Roza de Ahmedabad na Índia são magníficos exemplos desta tipologia. A Sala Hipostilo é como que o pátio e o salão daquelas mesquitas juntos no mesmo ambiente, e rearranjados num “decrescendo” que emula a transição vazio/sólido dos templos muçulmanos.