Este projeto parte do pressuposto de que a Bi-City Bienal de Hong Kong / Shenzhen – que nos convidou para participar da sua última edição – poderia ser uma  oportunidade para propormos um uso público num edifício abandonado em Nantou, bairro informal em Shenzhen.

Ora, um playground pode ser um exercício para imaginarmos maneiras incomuns e subversivas de usar um edifício. Crianças nele devem jogar, como também podem jogar com os pressupostos sobre o uso adequado de elementos arquitetônicos como a laje, a rampa, o parapeito, a parede.

Como misturar água e óleo, o desafio desta proposta reside em manter algo da aspereza e das texturas selvagens da estrutura de concreto com a atmosfera mágica e festiva típica dos playgrounds. Foi uma consideração por essa aspereza que nos levou à nossa paleta de materiais: malhas de vergalhão e placas de compensado. Dois elementos que são delicados o suficiente para garantir a continuidade do encantamento, do silêncio e da reticência de um espaço abandonado. Um espaço à espera de um evento que vai patrocinar atividades lúdicas e que, ao mesmo tempo, remeterá ao tempo e às intempéries que o  caracterizam.

Contrastando com a materialidade dos vergalhões e das cicatrizes existentes, cores quentes sobrepõem-se ao cinza do concreto, ao passo que os novos escorregadores transformam as lajes sombrias em plataformas para brincar de descer.

Além de propor um uso público em domínio privado, o playground permitirá que as crianças (e adultos!) de Nantou brinquem no centro do bairro – um assentamento informal hiper denso e compacto que não possui qualquer brinquedo infantil.

Fotos: Carlos M Teixeira, Daila Coutinho