Vazio S/A
Mergulho no abismo
25/01/2017

Num mundo onde o uso da água é cada vez mais discutido e valorizado, é surpreendente saber que as cisternas do Rajastão e do Gujarat são estruturas tão fabulosas quanto desconhecidas.

Architectonic Abyss
Carlos M Teixeira

“My first impression upon seeing the Indian stepwells was this: they look like a reverie of inverted steps and levels, a descent into the depths of the desert every bit as disconcerting as a plunge into the abyss. Rendered all the starker by the play of light and shade, these flights of steps form an architectonic mantra of stunning visual effect, endowing the stairways with a vertiginous rhythm, repeating a pattern that boggles for its scale and multiplication, as if reproduced ad infinitum in a hall of mirrors.

(more…)

No comments | categoria[s]: Ensaios | tag[s]: ,
Compartilhar

Nós vivemos numa época em que a transformação do existente é mais importante do que as novas construções; em que urge voltarmos os olhos para problemas das nossas cidades que foram ignorados pelas gerações passadas.

É dentro dessa perspectiva que Sobre-Arrudas (imagens baixo) se encaixa: um projeto que celebra o rio, transformando-o num evento capaz de mudar a maneira de enxergarmos os recursos naturais para os quais viramos as costas.

Uma praça temporária aberta a festivais, discussões e dissenções, Sobre-Arrudas foi apresentado, sem sucesso, para a Prefeitura de Belo Horizonte. É por isso que agora estamos trabalhando na viabilidade de um projeto similar proposto para uma outra cidade: o projeto Sobre-Aricanduva na Zona Leste de São Paulo (ver próximo post).

+info: Projetos Sub-Arrudas e Sobre-Aricanduva no site Vazio S/A
+info: “Por uma visão urbanística da inclusão dos rios”, texto de Carlos M Teixeira no projeto Manuelzão

A exposição “Misunderstandings”, realizada conjuntamente pela galleria Campo (Roma) e o Le FRAC Centre (Orleans, França), foi pensada como um experimento sobre como deve ser um acervo histórico e como a prática arquitetônica contemporânea pode abordá-lo.

Para fazê-lo, doze arquitetos e artistas foram convidados a fazer um projeto a partir de um desenho da coleção Le Frac. Guiados apenas pelo poder conceitual e plástico dos desenhos, a interpretação esteve aberta a todos os “mal-entendidos”, como erros científicos e inadequações históricas.

Um dos doze trabalhos que compõem a mostra é o nosso The Grid. Publicamos aqui partes deste desenho de quatro metros lineares, em cartaz até janeiro na Campo e até abril no Le Frac Centre. A sequência foi feita a partir de um díptico provido pelos curadores no qual fizemos intervenções para criar uma paisagem “palafitada” que corrompe o desenho original.

O texto abaixo é um excerto do material apresentado na exposição:

“The better futures of the existent city are in latent fields that simply need to be developed and enlarged. The “concrete palafittes” – a widespread architectural accident in Belo Horizonte and many other hilly cities in Brazil – are a corrupter of a well-known object – the grid – that clash against modernist architecture origins: it demystifies style to create an object that escapes and despises the pure morality and ethical uniformity of its creators. (more…)

Num país de cidades dominadas pelo âmbito privado, o arquiteto Abílio Guerra faz aqui uma ótima defesa de três dos raros exemplos de vazios urbanos cívicos em São Paulo, onde espaço público e espaço privado deixam de se confrontar, para, ao contrário, trabalhar em simbiose:

Quadra Aberta: uma tipologia urbana rara em São Paulo
Abílio Guerra

Christian de Portzamparc, em texto já clássico no meio arquitetônico brasileiro, defende a quadra aberta como uma solução contemporânea para os grandes aglomerados urbanos. Segundo o arquiteto francês, seria uma conciliação entre as cidades da primeira e segunda eras, abrindo as portas para a terceira era da cidade. Uma conciliação entre as qualidades da rua-corredor da cidade tradicional e dos edifícios autônomos da cidade moderna. Estamos diante de um urbanismo de síntese, aonde a resultante “quadra aberta permite reinventar a rua: legível e ao mesmo tempo realçada por aberturas visuais e pela luz do sol. Os objetos continuam sempre autônomos, mas ligados entre eles por regras que impõem vazios e alinhamentos parciais. Formas individuais e formas coletivas coexistem. Uma arquitetura moderna, isto é, uma arquitetura relativamente livre de convenção, de volumetria, de modenatura, pode desabrochar sem ser contida por um exercício de fachada imposto entre duas fachadas contíguas” (Portzampark, 1997) (more…)

foto: Carlos Teixeira; maquete: HS Maquetes

Boas notícias para tempos difíceis, título (muito apropriado) da última edição da V!rus, acaba de ser publicada. A revista é editada pelo Nômades da USP; Vazio S/A aparece com um texto sobre nosso projeto Outros Territórios, que deve ser realizado esse ano.
Uma boa notícia!

.

foto: Carlos Teixeira; maquete: HS Maquetes

Maquete #3 é continuação de uma longa pesquisa iniciada no projeto Amnésias Topográficas I e no livro História do Vazio em Belo Horizonte (Carlos M Teixeira, Cosac Naify, 1999), e que pretendemos retomar em 2017 com o festival Outros Territórios.

Que 2017 seja o ano!

foto: Carlos Teixeira; maquete: HS Maquetes
ver também: Amnésias Topográficas I, Amnésias Topográficas II e Misunderstandings

Ex-bailarina da companhia de Merce Cunningham, a coreógrafa Marilyn Wood foi uma das pioneiras nas pesquisas entre dança e arquitetura. Em 1972, ela apresentou um espetáculo nas janelas e na praça do edifício Seagram em Nova York como parte de uma série que ela chamava de “Celebrations in City Places”. Hoje totalmente esquecida, a cenografia usava todos os 44 andares da fachada de vidro de um dos prédios mais emblemáticos da cidade e contava com 35 bailarinos para transformar janelas em palco. Com exceção da foto acima, não há praticamente nenhum registro sobre o evento na internet, mas a semelhança visual entre ele e alguns trabalhos do escritório é incrivelmente óbvia, especialmente nos projetos “Espaços Públicos Invisíveis” e “Spiral Booths“.

Temos o prazer de anunciar que “Gambiólogos”, cujo projeto expográfico é do Vazio S/A, foi premiada na XVIII Premiação do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil!
+info: IAB webpage

“Misleadingly interlocked, ostensibly cantilevered and sumptuously textured” foi como o jornalista John Bezold, da prestigiada revista holandesa Mark (foto abaixo) iniciou sua apresentação da Casa no Cerrado. Uma outra bela resenha da mesma casa, Eupalinos no Cerrado, foi publicada  na revista AU pelo arquiteto e crítico Fernando Lara: “(…) Tudo convida a subir, a casa inteira existe nessa dicotomia entre o abrigo protegido abaixo e o desejo de ascensão ao cume da casa e do morro”.

Crítica sobre a exposição “Misunderstandings” na Galleria Campo, Roma, publicada na revista italiana Domus. Na imagem da capa, o nosso projeto “The Grid”!

Vazio S/A é um dos participantes da exposição “Misunderstandings” na Campo, uma galeria em Roma para “debater, estudar e celebrar arquitetura”. Os outros participantes da mostra que começa hoje são: Black Square, BuildingBuilding, Matilde Cassani, Lukas Feireiss, Saba Innab, LIST, Manthey Kula, OBRA, OMMX, PioveneFabi, e UHO.

Carlos Teixeira participará nesta terça da mesa redonda “Outras Narrativas”, que faz parte da programação da “Ser Urbano: 7ª Semana de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio “. + info na página do evento.

Hoje a Vazio S/A estará na Semana Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em  Curitiba. Confira a programação completa na página da SAAU no Facebook

Outros Territórios
09/09/2016

O curador Eduardo de Jesus e Vazio S/A estão produzindo um festival de arquitetura e arte urbana no bairro Buritis, em Belo Horizonte.  Chamado de Outros Territórios, seu objetivo é discutir vazios urbanos ociosos e propor soluções para até 20 prédios “palafitados”. As 20  intervenções serão simultâneas e a realização do festival está prevista para julho de 2017. Se você por acaso mora num prédio palafitado e tiver interesse em participar, entre em contato conosco!
Mais informações em https://issuu.com/vazioarquitetura/docs/ct92-arq-ep-doc-amnesias-iv-concurs/1

Outros Territórios – perguntas e respostas

O que aconteceria nas “palafitas” no Buritis?
Várias intervenções efêmeras em várias palafitas ao mesmo tempo: uma projeção de vídeo, uma iluminação noturna, uma peça de teatro para plateia limitada, um projeto de paisagismo, escultura(s), pintura(s) etc. Será uma mudança instantânea na paisagem do bairro.

O objetivo é criar um festival que promoverá intervenções em uníssono. A quantidade de condomínios dependerá, primeiramente, da disponibilidade dos moradores em participar, cedendo-nos o espaço dos “paliteiros”; o segundo passo será captar recursos para viabilizar as intervenções. No momento estamos entrando em contato com vários síndicos e condomínios no sentido de definirmos uma rede de palafitas sujeitas a essas intervenções ambientais e culturais. Nosso objetivo é despertar a sensibilidade de todo o bairro e então promover diversas discussões simultâneas.

Os prédios seriam definitivamente alterados?
Não. A maior parte das intervenções ocorrerá somente durante o evento, outras poderão permanecer a critério do condomínio. A instalação de um projeto paisagístico, por exemplo, poderá ser efêmero ou permanente e terá potencial de transformar e requalificar o edifício.  (more…)

O parque H3o  está entre os 20 projetos latino-americanos selecionados para participar do prêmio colombiano Rogelio Salmona!!! Para se candidatar, o projeto deve ter potencial para melhorar o espaço público da cidade, ter sido construído há mais de cinco anos e demonstrar que ”vingou” – que tenha disparado mudanças estruturais duradouras.