Philip Johnson – Vazio S/A
Philip Johnson
29/01/2009

Texto publicado no periódico Letras do Café, em outubro de 2007, cujo tema do mês era “dinheiro”.

Carlos Teixeira

Sobre a crítica de que seus projetos eram fáceis: “É porque sou um péssimo arquiteto”. Sobre a atividade dos arquitetos: “A tarefa de um arquiteto hoje é criar prédios bonitos. Isso é tudo.” Sobre seu estilo, claramente influenciado pelo alemão Mies van der Rohe: “porque Mies é o mais fácil de copiar”. Sobre o lado social da arquitetura: “Esqueça a função, ignore a responsabilidade social. É só fazer coisas tão belas o quanto puder fazer. Aproveite e gaste todo o dinheiro que você conseguir”. Sobre a utilidade de um prédio: “Conforto não é uma função da beleza… o propósito não é uma condição para fazer um edifício belo… mais cedo ou mais tarde nós adaptaremos nossos prédios para que eles possam ser usados… de onde vem a forma eu não sei, mas ela não tem nada que ver com os aspectos sociológicos ou funcionais da arquitetura.” E sobre ele mesmo: “Eu sou uma puta”.

Philip Johnson, o amoral, o sardônico, o manipulador; o mais poderoso e influente arquiteto americano do século passado. Arquitetura é um jogo de poder, e tanto mais para ele. Formou-se em Harvard depois de herdar milhares de ações de seu pai, advogado de mineradoras de alumínio em Ohio, seu estado natal. Em todos os momentos de sua carreira, sua habilidade para entreter, sua liberdade, sua irreverência e o tempo que, graças a seu dinheiro, podia dedicar ao jogo da performance social certamente fizeram dele o que foi. Como fundador do departamento de arquitetura do Museu de Arte Moderna de Nova York e curador da famosa exposição “O Estilo Internacional”, teve um papel fundamental em formatar a visão americana quanto ao sentido da arquitetura e do design ao longo de todo o século XX.

Patrono de arquitetos mais jovens como Frank Gehry e Peter Eisenman, grande parte do estrelato internacional da arquitetura deve o que é ao apoio que dava aos promissores ainda desconhecidos. Foi através desse patronato – que incluía repassar projetos lucrativos e prestigiosos para seus protegidos – que Johnson desenvolveu uma legião de seguidores e assumiu o título de capo di tuti i capi da arquitetura americana.

Era, obviamente, um cínico. Manipulador da mídia, entrevistador fabuloso, jornalista que sabia se expressar perfeitamente e debatedor imbatível, ele também soube se infiltrar nas mais altas rodas novaiorquinas, por onde circulavam o mundo da arte, os poderosos, os magnatas. Foi o único arquiteto que ganhou o prêmio Pritzker – o Nobel da arquitetura – não por sua obra, mas pelo impacto que causou devido ao contraditório senso de comercialismo e oportunismo embutido em sua carreira (ainda que demonstrasse uma visão de arquitetura sofisticada e quase européia). E, dentro de sua postura sempre niilista e iconoclasta, sentiu os trágicos aspectos do século XX, como a falta de um centro, a falta de uma direção clara, a falta de valores e a inevitabilidade das mudanças: “Afinal, qual é o propósito mais alto?”

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